quinta-feira, 30 de setembro de 2010

MARINA SILVA E OS POVOS DOS TERREIROS

Texto do Prof. Dr. Dennis de Oliveira (ECA/USP) publicado em em: http://natongadamirangadokabulete.wordpress.com/candidato-cao-cao/?preview=true&preview_id=14&preview_nonce=c09dd13b93


É famosa aquela estória que a Marina foi reclamar para o Gil, quando
ambos eram Ministros, que ele estava fazendo um maior xirê no saguão
do prédio destes ministérios, pois o Meio Ambiente e a Cultura são
lotados neste mesmo espaço. Aí o Gil disse: “minha rainha, o estado e
laico, se tu pode fazer os seus cultos evangélicos, eu também posso
cultuar os meus orixás aqui também”. Evidentemente ela não gostou.
Candidata ao cargo de presidenta do Brasil, qual será a relação dela
com as religiões de matriz africana? A Marina queimou o seu filme
perante ateus (ias), agnósticos (as), candomblecistas, budistas,
hindus e outras orientações não-cristãs em dois momentos: agosto de
2006, quando defendeu a ascensão evangélica na política brasileira, e
janeiro de 2008, quando, entrevistada pelo blog adventista éoqhá, deu
opiniões sobre criacionismo, ciência e educação que deixaram as
referidas categorias de credo alvoroçadas. Segundo ela, a narrativa
bíblica da criação do mundo, da vida e dos seres humanos literalmente
considerada deveria ser ensinada “em pé de igualdade” com as teorias
científicas que incluem o Big Bang, a abiogênese primordial e o
evolucionismo nas escolas, sob o pretexto da “liberdade de escolha”. A
ciência para ela também deveria aceitar a incorporação da fé assim
como esta teria aceito os ensinamentos científicos. Pela declaração
dela feita em 2008, a educação laica se vê sob o perigo de ter que
abandonar o seu laicismo e ensinar o criacionismo para gente de todas
as crenças e descrenças. E subtende-se que serão apenas duas “opções”
– o mito cristão e as teorias científicas – porque, quando Marina
preconizou a tal “liberdade de opção” sobre no que crer, faltou dizer
que essa liberdade abrangeria a abordagem também igualitária de tantos
outros mitos cosmogônicos diferentes – indígenas, candomblecista,
hinduísta, xintoísta, muçulmano e etc. Religião, num ensino laico, só
tem espaço em disciplinas que tenham espaço reservado à abordagem de
culturas e crenças, e com as devidas explicações dos significados
contidos nas narrativas mitológicas. Nesse contexto, o cristianismo
abordado por tais matérias é apenas uma entre as mais diversas
religiões abordadas, nunca a melhor ou a mais verdadeira. Marina Silva
poderá valorizar o poder, as ações e as decisões da bancada
evangélica, e isso é assustador para os povos dos terreiros. Caso ela
não recue de suas intenções cristãs e antilaicas para a educação, o
desenvolvimento científico e a política e não adote uma posição de
respeito à diversidade de crenças e descrenças, o futuro brasileiro em
suas mãos não é dos bons. É muito tentador voltar em quem se firma
como alternativa à bipolaridade pré-eleitoral, mas precisamos ser
racionais na hora de votar. Em respeito a todas as religiões de matriz
africana e de outras orientações espirituais, ficamos atentos, se
encontrar alguém que queira votar na Marina porque ela esta sendo
pintada na Dalus e apresentada a população como a encarnação divina
para os tucanos, digamos: - na tonga da mironga do kabuletê!

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