Alceu Valença defende Chico César e diz que luta pelo forró faz Gonzagão dormir em paz
O Forró Vivo!
Vejo com muito bons olhos – olhos atentos de quem há décadas
observa os movimentos da cultura em nosso país – a iniciativa do
Secretário de Cultura do Estado da Paraíba, Chico César, de “investir
conceitualmente nos festejos juninos”, segundo comunicado oficial
divulgado esta semana. Além de brilhante cantor e compositor, Chico
tem se mostrado um grande amigo da arte também como um dos maiores
gestores da cultura desse país.
A maneira mais fácil de dominar um povo – e a mais sórdida também
– é despi-lo de sua cultura natural, daquilo que o identifica enquanto
um grupamento social homogêneo, com linguagens e referências próprias.
Festas como o São João e o carnaval, que no Brasil adquiriram status
extraordinariamente significativo, tem sido vilipendiadas com a adesão
de pretensos agentes culturais alienígenas mancomunados com políticas
públicas mercantilistas sem o menor compromisso com a identidade de
nosso povo, de nossas festas, e por que não, de nossas melhores
tradições, no sentido mais progressista da palavra.
Sempre digo que precisamos valorizar os conceitos, para que a arte
não se dilua em enganosas jogadas de marketing. No que se refere ao
papel de uma secretaria ou qualquer órgão público, entendo que seu
objetivo primordial seja o de fomentar, preservar e difundir a cultura
de seu estado, muito mais do que simplesmente promover eventos de
entretenimento fácil com recursos públicos. É preciso compreender esta
diferença quando se fala de gestão de cultura em nosso país.
Defendo democraticamente qualquer manifestação artística, mas
entendo que o calendário anual seja largo o suficiente para comportar
shows de todos os estilos, nacionais ou internacionais. Por isso apóio
a iniciativa de Chico em evitar que interesses mercadológicos enfiem
pelo gargalo atrações que nada tem a ver com os elementos que fizeram
das festas juninas uma das celebrações brasileiras mais reconhecidas
em todo o mundo.
Lembro-me que da última vez que encontrei o mestre Luiz Gonzaga,
num leito de hospital, este me pedia aos prantos: “não deixe meu
forrozinho morrer”. Graças a exemplos como o de Chico César, o velho
Lua pode descansar mais tranquilo. O forró de sua linhagem há de
permanecer vivo e fortalecido sempre que houver uma fogueira queimando
em homenagem a São João.
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