quarta-feira, 19 de março de 2014

Sobre o Blábláblá de sempre?

Palavras! Palavras e mais palavras.

Do lado de lá e do lado de cá, somente ouvimos e lemos palavras.

Palavras vazias, ocas de conteúdo, inertes e sem sentido.

Do lado de cá choro, lamentações e ranger de dentes expressos em... palavras. Do lado de lá desfaçatez, mentiras, atitudes e gestos que não vão além das palavras. E palavras desprovidas de ações não transformam nada.

Há séculos, boa parte de todos nós negros assistimos - é, a palavra é assistir - passivamente ao extermínio do nosso povo. Poucos de nós fomos oferecer nossos corpos e mentes à luta contra a opressão a que todos sempre fomos submetidos. Em nossa suprema maioria deixamos nos levar mental e fisicamente pela pregação daqueles que nos oprimem e se servem da nossa força.

Sempre nos iludiram com o discurso da não violência, do reconhecimento da lei como bem superior na preservação dos direitos do cidadão, no reconhecimento do Estado de direito e no exercício do voto como forma de transformação social. Tudo isso não passou, passa e passará de conversa que obstrui nossa ação.
Nos iludem a 500 anos e levam nossos votos de felicidade.

A questão que se coloca à população negra todos os dias não é "quantos leões teremos de matar para sobreviver a mais esse dia?", e sim "de quantos leões - fardados ou não - escaparemos para sobreviver mais um dia?"
Sinto que - apesar e por força de toda luta empenhada e desempenhada pelo movimento negro ao longo da história da população negra nesse país - está posta à nossa frente uma questão definitiva sobre nosso futuro: o que nós negros queremos nesse e desse país onde permanecemos a ser tratados como minoria, ou maioria oculta? Ou deciframos a questão e agimos ou permaneceremos a ser devorados como os Amarildos e as Claudias; como nossos pais e avós; e como, provavelmente, serão devorados nossos filhos, netos e bisnetos.
Antes do fim: reconheço a força das palavras e seu poder de gerar consciência, transmitir conhecimento, possibilitar a organização. Mas, desde quando a construção de uma sociedade de um povo de iguais, livres e soberanos foi realizada a troco de blábláblá?

Carecemos de ações contundentes contra a opressão da qual somos - há séculos - o objeto de desejo.

Devemos - como dizia o poeta - arrancar alegrias ao futuro.


São, tão somente, minhas palavras.

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