sábado, 11 de novembro de 2017

Os brancos e suas coisas


Muito embora alguns brancos jornalistas brancos, coleguinhas do Racista William Waack, face a situação insustentável, tentem demonstrar que o dito cujo é gente boa e que sua manifestação foi apenas um escorregão, racista, mas escorregão, fica obviamente “claro” que o suposto jornalista estava no mais absoluto conforto do seu quase secreto bastidor, para manifestar sua visão de mundo enquanto representante e voz do racismo.


A defesa e o apoio de seus mais diversos coleguinhas brancos jornalistas brancos, soa patética quando confrontada com a manifestação do racista William Waack, que com convicção e sem abalos deixou às claras o que, certamente, não está limitado a uma atitude única, isolada e restrita.


É passível de consideração, que a visão de mundo de William Waack não represente a visão de mundo de boa parte da população branca brasileira. O mesmo se aplica aos brancos jornalistas brancos que ousam defender o coleguinha pessoal ou de profissão, pois esses não representam todos jornalistas ou a posição defendida por alguns jornalistas.


Todavia, antes de ser uma defesa, a ação desses irmãos e companheiros de “chambre privée”, revela e lança ao ar o que deve ser voz corrente nesse meio restrito, revela e lança ao ar aquilo que povoa o imaginário de uma parte majoritária da população branca do Brasil, sobre a população negra.


Infelizmente, o Racista William Waack e seus coleguinhas brancos jornalistas não se sentem responsáveis e não assumem a responsabilidade social que deveriam ter sobre o papel que desempenham nessa sociedade desigual, machista, homofóbica e racista. Parecem desconhecer o papel que a imprensa desempenha no jogo jogado na democracia: quer como influenciadora e formadora de opiniões; quer como destruidora e deformadora de histórias e autoestimas.


Conforme desnudou Elisa Lucinda: “Para William Waack a vida do preto, o pensamento do preto, a atitude do preto, os direitos do preto são menores e tudo nele vale menos. Está entranhado em seu DNA cultural branco e dominador tal aberração intelectual.

(...) Eu teria vergonha de ensinar racismo aos meus filhos, William não tem. Eu teria vergonha de ser racista em meu local de trabalho, William não tem. Eu teria vergonha de ser racista sendo brasileira e estando trabalhando em terras estrangeiras, William não tem. De usar a minha língua contra o povo que construiu a minha nação, William não tem. E por isso representa uma vergonha para o povo brasileiro. Sua declaração bate na cara dos negros que labutam para o sucesso da história desse país e da empresa que ele trabalha (...).


Para Joseph Pulitzer, reconhecido jornalista e nome de prêmio atribuído aos bons praticantes do jornalismo, um bom jornalista, nunca deve esquecer dos pobres, deve se posicionar contra os privilégios e os injustamente privilegiados, pois privilégios são iníquos e favorecem “plutocratas”.


Jornalistas chapa-branca - aqueles que abandonaram o interesse público para defender o privilégio de poucos com suas palavras ou silêncio, não surpreendem, não causam surpresas. Principalmente, no Brasil.


É por isso que ver brancos jornalistas brancos defendendo o Racista William Waack, não soa estranho. Ressoa amizade e espírito de corpo.


Deveria soar estranho, mas isso não ocorre. 


Não ocorre porque, simplesmente, todos nós sabemos que, jornalistas desqualificando verdades inegáveis, é prática corrente no jornalismo brasileiro.

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