terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

BLACKFACE NO SALGUEIRO


O círculo agora está fechado.


O processo de etnocídio da população negra naquelas que são duas das mais originais manifestações culturais de origem negra-africana, o samba e as escolas de samba, pode se considerar completo.


Podemos nos considerar, nós negros e negras, indignos das heranças legadas por nossos ancestrais? Talvez! Quiçá! 


Mais uma vez os alvos, cristãos e ocidentais sem o menor constrangimento, principalmente e apesar da história, nos tomam nossas criações e se encarregam de contarem a nossa própria história.


A criação do mundo segundo um mito tradicional negro-africano exigiu da agremiação carnavalesca Salgueiro o uso de muita tinta e malhas na cor preta para tornar seus alvos integrantes em “legítimos” representantes dos reinos negro-africanos do seu enredo.


Não há negros e negras em número suficiente na comunidade do Salgueiro ou no Rio de Janeiro capazes e competentes para, sei lá, representar sua própria história ancestral? Talvez! Quiçá!


Muito possivelmente estivéssemos em outros terreiros, já que há muito nos ausentamos dos terreiros de Candomblé e dos Terreiros de Samba para nos tornarmos a massa ingênua de sustentação dos templos protestantes neopentecostais?


Triste, muito triste, assistir esse cortejo fúnebre de nós mesmos!!!


Foto: Reprodução da TV - O Globo


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Mandando Bronca!