Texto do Prof. Dr. Dennis de Oliveira (ECA/USP) publicado em em: http://natongadamirangadokabulete.wordpress.com/candidato-cao-cao/?preview=true&preview_id=14&preview_nonce=c09dd13b93
É famosa aquela estória que a Marina foi reclamar para o Gil, quando
ambos eram Ministros, que ele estava fazendo um maior xirê no saguão
do prédio destes ministérios, pois o Meio Ambiente e a Cultura são
lotados neste mesmo espaço. Aí o Gil disse: “minha rainha, o estado e
laico, se tu pode fazer os seus cultos evangélicos, eu também posso
cultuar os meus orixás aqui também”. Evidentemente ela não gostou.
Candidata ao cargo de presidenta do Brasil, qual será a relação dela
com as religiões de matriz africana? A Marina queimou o seu filme
perante ateus (ias), agnósticos (as), candomblecistas, budistas,
hindus e outras orientações não-cristãs em dois momentos: agosto de
2006, quando defendeu a ascensão evangélica na política brasileira, e
janeiro de 2008, quando, entrevistada pelo blog adventista éoqhá, deu
opiniões sobre criacionismo, ciência e educação que deixaram as
referidas categorias de credo alvoroçadas. Segundo ela, a narrativa
bíblica da criação do mundo, da vida e dos seres humanos literalmente
considerada deveria ser ensinada “em pé de igualdade” com as teorias
científicas que incluem o Big Bang, a abiogênese primordial e o
evolucionismo nas escolas, sob o pretexto da “liberdade de escolha”. A
ciência para ela também deveria aceitar a incorporação da fé assim
como esta teria aceito os ensinamentos científicos. Pela declaração
dela feita em 2008, a educação laica se vê sob o perigo de ter que
abandonar o seu laicismo e ensinar o criacionismo para gente de todas
as crenças e descrenças. E subtende-se que serão apenas duas “opções”
– o mito cristão e as teorias científicas – porque, quando Marina
preconizou a tal “liberdade de opção” sobre no que crer, faltou dizer
que essa liberdade abrangeria a abordagem também igualitária de tantos
outros mitos cosmogônicos diferentes – indígenas, candomblecista,
hinduísta, xintoísta, muçulmano e etc. Religião, num ensino laico, só
tem espaço em disciplinas que tenham espaço reservado à abordagem de
culturas e crenças, e com as devidas explicações dos significados
contidos nas narrativas mitológicas. Nesse contexto, o cristianismo
abordado por tais matérias é apenas uma entre as mais diversas
religiões abordadas, nunca a melhor ou a mais verdadeira. Marina Silva
poderá valorizar o poder, as ações e as decisões da bancada
evangélica, e isso é assustador para os povos dos terreiros. Caso ela
não recue de suas intenções cristãs e antilaicas para a educação, o
desenvolvimento científico e a política e não adote uma posição de
respeito à diversidade de crenças e descrenças, o futuro brasileiro em
suas mãos não é dos bons. É muito tentador voltar em quem se firma
como alternativa à bipolaridade pré-eleitoral, mas precisamos ser
racionais na hora de votar. Em respeito a todas as religiões de matriz
africana e de outras orientações espirituais, ficamos atentos, se
encontrar alguém que queira votar na Marina porque ela esta sendo
pintada na Dalus e apresentada a população como a encarnação divina
para os tucanos, digamos: - na tonga da mironga do kabuletê!
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
O ENCONTRO DAS ONDAS
Editorial da Revista Isto é - N° Edição: 2133 - 24.Set.10 - 21:00 - Atualizado em 27.Set.10 - 17:22
"O ENCONTRO DAS ONDAS"
Carlos José Marques, diretor editorial
O maior erro praticado por diversos setores envolvidos numa campanha política é o de não entender o eleitor. Nesse momento em que o Brasil se aproxima novamente das urnas para eleger candidatos a postos majoritários – inclusive o de presidente –, o fenômeno mais uma vez se repete. Diversos agentes envolvidos no processo eleitoral não deram ouvido e espaço a voz das ruas e a atacam de maneira visceral e virulenta pela opção seguida. Como se ela estivesse errando pela simples razão de escolher. É um movimento ensandecido, radical, com alegações desconectadas da realidade. Pelo olhar desses senhores, “a democracia estaria em risco” e a sociedade brasileira “assombrada pelo autoritarismo”, com eleitores que só enxergam o seu poder de consumo. O que todos precisam estar conscientes no atual cenário é que, passadas quase três décadas desde a redemocratização do País, a vontade popular, mais uma vez e de maneira sadia e inequívoca, será exercida em sua plenitude com o voto. E isso é democracia em estado puro. Enganam-se aqueles que pensam que as instituições estão desestabilizadas ou que a opinião pública é alienada e facilmente manejável. Ela segue, como demonstrou em várias ocasiões, o sentido lógico e racional do que é melhor para ela. Nos últimos anos, uma combinação rara e positiva de avanços sociais e econômicos culminou com uma ascensão notória da qualidade de vida em geral. Empresas estão crescendo, investindo e vendendo mais. Trabalhadores vêm conquistando melhorias salariais e mais empregos, com uma inclusão em larga escala dos cidadãos. E um conjunto amplo de indicadores no campo da educação, saúde e habitação apresenta evoluções inegáveis. Tudo isso explicaria a gigantesca onda vermelha que parece tomar conta do País.
A frente governista, pelo que mostram as pesquisas, deverá fazer na Câmara Federal cerca de 400 dos 513 deputados; 58 dos 81 senadores possíveis e 19 governadores. A candidata da situação, Dilma Rousseff, vem liderando com boa margem em 21 Estados e nos outros seis apresenta empate técnico. A onda contrária da oposição, diante da acachapante derrota em andamento, segue para o confronto com um discurso disparatado, sem propostas e com claros pendores eleitoreiros. Martela discussões sobre a ética como se apenas o seu lado fosse detentor dela. Depois de investir contra a opinião pública e de não reconhecer sua legitimidade, partiu para um movimento que tem um quê de esquizofrenia partidária, com perigosos sinais golpistas. Elaborou um manifesto em que reclama da “visão regressiva do processo político” e usa expressões como “intolerável, inconcebível, constrangedor, aviltante e repugnante” para subliminarmente defender que Dilma Rousseff não deveria chegar ao poder e que José Serra teria o direito natural e inalienável de ser o próximo presidente da República. Nesse intuito, na reta final da campanha, o próprio Serra, tentando angariar incautos de última hora, apelou para promessas populistas irresponsáveis – como o reajuste da previdência, dos aposentados, do salário mínimo além da inflação e até do programa Bolsa Família –, medidas que se adotadas provocariam um estouro monstro nas contas públicas, sem previsão de receita no Orçamento da União. Esse vale-tudo inconsequente de alguns candidatos parece desconsiderar um fato que o sociólogo espanhol Manuel Castells definiu com muita propriedade em entrevista publicada no jornal “Folha de S.Paulo” da semana passada. Segundo ele, “no Brasil, neste momento, não há medo nem insatisfação profunda que faça com que as pessoas queiram mudar”. E aponta: “Os políticos sempre estão atrasados em relação à sociedade.” Talvez porque muitos deles ainda enxerguem o sentimento popular como mera massa de manobra e não como direito a opção. É o choque das ondas.
Fonte: http://www.istoe.com.br/assuntos/editorial/detalhe/102575_O+ENCONTRO+DAS+OND?sms_ss=email
"O ENCONTRO DAS ONDAS"
Carlos José Marques, diretor editorial
O maior erro praticado por diversos setores envolvidos numa campanha política é o de não entender o eleitor. Nesse momento em que o Brasil se aproxima novamente das urnas para eleger candidatos a postos majoritários – inclusive o de presidente –, o fenômeno mais uma vez se repete. Diversos agentes envolvidos no processo eleitoral não deram ouvido e espaço a voz das ruas e a atacam de maneira visceral e virulenta pela opção seguida. Como se ela estivesse errando pela simples razão de escolher. É um movimento ensandecido, radical, com alegações desconectadas da realidade. Pelo olhar desses senhores, “a democracia estaria em risco” e a sociedade brasileira “assombrada pelo autoritarismo”, com eleitores que só enxergam o seu poder de consumo. O que todos precisam estar conscientes no atual cenário é que, passadas quase três décadas desde a redemocratização do País, a vontade popular, mais uma vez e de maneira sadia e inequívoca, será exercida em sua plenitude com o voto. E isso é democracia em estado puro. Enganam-se aqueles que pensam que as instituições estão desestabilizadas ou que a opinião pública é alienada e facilmente manejável. Ela segue, como demonstrou em várias ocasiões, o sentido lógico e racional do que é melhor para ela. Nos últimos anos, uma combinação rara e positiva de avanços sociais e econômicos culminou com uma ascensão notória da qualidade de vida em geral. Empresas estão crescendo, investindo e vendendo mais. Trabalhadores vêm conquistando melhorias salariais e mais empregos, com uma inclusão em larga escala dos cidadãos. E um conjunto amplo de indicadores no campo da educação, saúde e habitação apresenta evoluções inegáveis. Tudo isso explicaria a gigantesca onda vermelha que parece tomar conta do País.
A frente governista, pelo que mostram as pesquisas, deverá fazer na Câmara Federal cerca de 400 dos 513 deputados; 58 dos 81 senadores possíveis e 19 governadores. A candidata da situação, Dilma Rousseff, vem liderando com boa margem em 21 Estados e nos outros seis apresenta empate técnico. A onda contrária da oposição, diante da acachapante derrota em andamento, segue para o confronto com um discurso disparatado, sem propostas e com claros pendores eleitoreiros. Martela discussões sobre a ética como se apenas o seu lado fosse detentor dela. Depois de investir contra a opinião pública e de não reconhecer sua legitimidade, partiu para um movimento que tem um quê de esquizofrenia partidária, com perigosos sinais golpistas. Elaborou um manifesto em que reclama da “visão regressiva do processo político” e usa expressões como “intolerável, inconcebível, constrangedor, aviltante e repugnante” para subliminarmente defender que Dilma Rousseff não deveria chegar ao poder e que José Serra teria o direito natural e inalienável de ser o próximo presidente da República. Nesse intuito, na reta final da campanha, o próprio Serra, tentando angariar incautos de última hora, apelou para promessas populistas irresponsáveis – como o reajuste da previdência, dos aposentados, do salário mínimo além da inflação e até do programa Bolsa Família –, medidas que se adotadas provocariam um estouro monstro nas contas públicas, sem previsão de receita no Orçamento da União. Esse vale-tudo inconsequente de alguns candidatos parece desconsiderar um fato que o sociólogo espanhol Manuel Castells definiu com muita propriedade em entrevista publicada no jornal “Folha de S.Paulo” da semana passada. Segundo ele, “no Brasil, neste momento, não há medo nem insatisfação profunda que faça com que as pessoas queiram mudar”. E aponta: “Os políticos sempre estão atrasados em relação à sociedade.” Talvez porque muitos deles ainda enxerguem o sentimento popular como mera massa de manobra e não como direito a opção. É o choque das ondas.
Fonte: http://www.istoe.com.br/assuntos/editorial/detalhe/102575_O+ENCONTRO+DAS+OND?sms_ss=email
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Dez falsos motivos para não votar na Dilma
da Coluna Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10: publicado no Blog de Jorge Furtado, em 25 de Julho de 2010
Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir.
Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)
Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.
Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes.
1. Alternância no poder é bom.
Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.
2. Não há mais diferença entre direita e esquerda.
Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de esquerdistas, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da direita do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.
3. Dilma não é simpática.
Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito simpatia depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.
4. Dilma não tem experiência.
Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.
5. Dilma foi terrorista.
Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações terroristas. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.
6. As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano.
Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate quem começou o quê torna-se irrelevante.
7. Serra vai moralizar a política.
Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista - no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC - foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela Operação Sanguessuga. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com engavetador da república, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de mensalão foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no mensalão do DEM. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.
8. O PT apóia as FARC.
Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?
9. O PT censura a imprensa.
Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram a posição oposicionista (sic) deste país. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.
10. Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra.
Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.
(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.
Geração de empregos:
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões
Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares
Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões
Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos
Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78
Reservas cambiais:
FHC/Serra = menos 185 bilhões de dólares x Lula/Dilma = mais 239 bilhões de dólares
Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%
Inflação:
FHC/Serra =12,5% (2002) x Lula/Dilma = 4,7% (2009)
Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%
Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%
(2) Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10:
José Serra começou sua campanha diz
Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir.
Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)
Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.
Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes.
1. Alternância no poder é bom.
Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.
2. Não há mais diferença entre direita e esquerda.
Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de esquerdistas, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da direita do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.
3. Dilma não é simpática.
Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito simpatia depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.
4. Dilma não tem experiência.
Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.
5. Dilma foi terrorista.
Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações terroristas. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.
6. As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano.
Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate quem começou o quê torna-se irrelevante.
7. Serra vai moralizar a política.
Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista - no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC - foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela Operação Sanguessuga. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com engavetador da república, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de mensalão foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no mensalão do DEM. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.
8. O PT apóia as FARC.
Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?
9. O PT censura a imprensa.
Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram a posição oposicionista (sic) deste país. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.
10. Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra.
Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.
(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.
Geração de empregos:
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões
Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares
Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões
Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos
Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78
Reservas cambiais:
FHC/Serra = menos 185 bilhões de dólares x Lula/Dilma = mais 239 bilhões de dólares
Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%
Inflação:
FHC/Serra =12,5% (2002) x Lula/Dilma = 4,7% (2009)
Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%
Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%
(2) Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10:
José Serra começou sua campanha diz
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